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Bloco defende investimento público no Quartel de Monte Pedral

Susana Constante Pereira, deputada do Bloco de Esquerda

"No nosso entender aquilo que é o investimento que deve ser feito é um investimento público", defendeu a deputada do Bloco de Esquerda na Assembleia Municipal do Porto Susana Constante Pereira.

A deputada municipal considera que o modelo que está a ser trabalhado pelo município para o projeto do Quartel de Monte Pedral "pode ser altamente prejudicial, deste logo porque favorece os privados".

"É impossível imaginar o anúncio da recuperação do Quartel com a espetacularidade que ele teve, sem imaginar imobiliárias as esfregar as mãos à espera deste concurso público", afirmou.

Para a bloquista, o argumento de que a autarquia não deve ser senhorio é preocupante e revela que não há uma preocupação da câmara com a habitação na cidade.

"Se virmos sempre este argumento que a câmara não é senhorio, aquilo que estamos a fazer, mais uma vez, é entregar ao mercado aquilo que, entendemos nós, é um direito [à habitação] das pessoas e que não está a ser consagrado na cidade".

O Bloco mostrou-se ainda preocupado com a forma como o cálculo da renda acessível vai ser feito, considerando, contudo, que, neste caso, a preocupação ultrapassa esta questão.

"O anúncio é para habitação para a classe média e nós continuamos a alertar para o facto de as carências habitacionais e o estado coisas na cidade do Porto é tal, que não podemos resumir o investimento que se anuncia só a esta questão [habitação para a classe média]", declarou.

Para a deputada do BE, é urgente um "programa transversal" que ultrapasse a "lógica dos anúncios".

"Esta estratégia já podia ter tomado forma e há muito tempo, nomeadamente com terrenos que a câmara pretende alienar", acrescentou.

O grupo municipal do Bloco de Esquerda na Assembleia Municipal visitou hoje uma parcela de terrenos municipais na avenida do Parque junto ao Parque da Cidade cuja alienação está prevista no orçamento municipal de 2019.

"Estes terrenos que aqui estão são terrenos da câmara, são terrenos que estão previstos no Orçamento de 2019 para venda, num total de 11 milhões de euros, quando podiam ser alvo de investimento para construção pública com rendas acessíveis e/ou habitação social", disse.

Em causa, argumentam, está uma visão "classista" de que esta zona da cidade deve ser uma zona de habitação de luxo.

"Há, de facto, uma carência habitacional na cidade e, no nosso entender, não há razão para que as pessoas não possam vir para aqui viver independentemente da sua condição económica", defendeu, sublinhado que "este é o anúncio que nós achamos que falta e que falta há muito tempo".